segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

PANACEIA

          a charles bukowski

poesia é o único remédio plausível
quando o seu emprego é uma bosta
e você espera que o calor passe

poesia é a solução imaginável
no momento de perder quem se ama
ou quando você ama quem não te ama

poesia é o fio de ariadne
no labirinto ridículo do espaço
nas horas à espera do exame
no trânsito caótico da cidade
no sangue quente do desejo

poesia é o máximo do mínimo
a otimização da miséria da vida
o recorte, o ímpar, o difícil:
o vivo

poesia é o choro contido
o orgasmo não dito e a festa surpresa
poesia não é discurso escroto, sem sentido
é as malas na porta e as cartas na mesa

poesia vai além do gênero literário
é o único posto de emprego
que qualquer pessoa pode assumir
sem de fato exercê-lo

poesia vai além do discurso

poesia é rio que
simplesmente

segue seu curso

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