domingo, 20 de setembro de 2015

O SER COITADO

o ser coitado nunca abandonou o que lhe era estranho
desajustado
fora do comum

o ser coitado aprendeu a todos dias ir além do seu limite
corrigindo
catando migalhas
catando
calando
calando

o ser coitado sempre admirou de olhar no espelho
o homem que sonhou ser
mas quando abaixava os olhos via
refugo

o triste tadinho que procurava refúgio
hoje cresceu, tem barba e bigode:
mas nos simples jogos da vida
quando pessoas cruzam-se lá e cá
ele chora

e quando chora, como geme!
como desterra seu grito úmido
infantil
instintivo e bestial
como se quisesse
colo
carícia
terra & água
vida enfim

olho em seus olhos. danado
daquele que ousou desvirtuar suas primícias;
que insistiu em fazê-lo torto;
em ensiná-lo a andar para os lados;
quando não precisava ser manco

hoje, o ser coitado ali está,
com barba, dentes e bigode:
mas quando chora,
ah! como chora!

Siga o blog por e-mail