sábado, 30 de janeiro de 2016

AUSÊNCIAS

sentes o gosto?
é a paixão que ainda não veio.
é a carta que ainda não veio.
é o alguém que ainda não veio.

teus amigos dizem, liquefeitos,
que a saudade dura apenas um segundo
e que não deves te importar com estas coisas.

para.
olha um canto.
perceba neste canto a tua imagem,
como se dela desprendesse a tua essência.
depois se volte a recolher teus próprios cantos.


* * *

sentes o tato?
é a conta que ainda não veio.
é a mãe que ainda não veio.
é a esperança que ainda não veio.

todo aquele que vence a saudade
se condena em não lembrar as coisas.
a saudade é uma ausência em sangue.

para.
olha teu lado.
perceba nesta gente os teus irmãos,
como se deles surgisse tua identidade.
e então encontras tua própria felicidade.

TROVAS DO AMOR CRESCENTE

dos meus sonhos escondidos
tiro um deles pra sonhar;
é um sonho colorido
tão bom de se imaginar.

é um sonho tão dourado
que ninguém vai perceber;
o seu brilho iluminado
logo vai nos envolver.

tiro o sonho da gaveta
e começo a construir;
nosso sol será um cometa
que só vai nos divertir.

terá fruta bem madura
e nas plantas muita cor;
terá um livro capa-dura
e não haverá rancor.

se o violão não fala
minhas mãos não vão calar;
os meus braços como em gala
te convidam pra dançar.

nossa casa na floresta
tem seresta e entardecer;
tem a madrugada: festa
que vem ao amanhecer.

quando chega o nosso sono
com a vontade de dormir;
a inocência do desejo
corre para se despir.

este sonho encantado
longe de todo terror;
é um refúgio ensolarado
onde quer que ele for.

dos meus sonhos escondidos
tiro um deles pra sonhar;
os meus braços como em gala
te convidam pra dançar...

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